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6 de out. de 2014

Viva São Paulo

Viver em São Paulo é uma aventura. Após quase 7 anos morando aqui, me dei conta disso. Escolher viver São Paulo (e não morar emSão Paulo) é, na minha opinião, a melhor opção. Demorou mas a ficha caiu. Você pode reclamar do trânsito mas adora ter um restaurante tailandês na esquina. Reclama do clima que chove no fim de semana e faz um sol de rachar  em plena quarta-feira. Se parar de reclamar um pouco e olhar tudo de lindo que essa megalópole tem, não vai se arrepender.

Como eu falei, a ficha demorou a cair e mesmo tendo ido centenas de vezes ao mercadão, e lá, ser o meu lugar preferido da cidade, eu nunca tinha descoberto a tal da Zona Cerealista. Aproveitei o passeio organizado pela Escola Wilma Kövesi de Cozinha e me joguei.

Sonolentos porém atentos. Vai começar!    Foto: Gabi Butcher
 Foi uma experiência e tanto.  Numa deliciosa manhã nublada, fomos guiados pela Chef Letícia Massula e pela fotógrafa Gabi Butcher. O ponto de partida foi o estacionamento na Rua Santa Rosa e de lá começamos percorrendo as calçadas esbarrando propositalmente nos ambulantes. Como a a Lôra, da foto abaixo, com uma banca de jabuticaba, tamarindo e outra de feijão verde e coentro. Abriu um sorriso e deixou logo seu recado: “banana não é comigo! eu gosto é fruta exótica, assim, que em eu!” quando a chef achou um saco de pequi encostado no carrinho.



Lôra e o pequi de dois caroços.
Depois, foi a vez de descobrirmos o sapoti. Fruta do nordeste que tem uma árvore igual a do cacau e também produz chocolate. Fiquei morrendo de curiosidade de provar esse chocolate aí. Mas fica pra próxima aventura. Como provar? O vendedor bate a fruta no chão e ela se abre ao meio. A chef, que carrega sempre uma faca e um potinho de sal na bolsa, prepara a degustação.

Barraca de sapoti, cacau e jaca.




 Seguimos pela rua Prof. Eurípedes Simões de Paula bisbilhotando os enormes galpões cheios de cebola e batata. Para os olhos treinados da fotógrafa, uma foto linda segue a outra. Texturas, cores e um ar poético dos trabalhadores que carregam sacos e caixas num ritmo típico paulistano.


Foto: Gabi Butcher


No fim da Rua Santa Rosa, um estacionamento recebe os caminhões que chegam carregados de coco da Bahia e de simpatia dos trabalhadores que trazem a fruta para vender e só voltam com o caminhão vazio.

Foto: Gabi Butcher

A simpatia vem da Bahia.




Do lado direito, fica a Central de Abastecimento Pátio do Pari. o gran finale do tour. Se não fossem a Leticia e a Gabi eu nunca entraria lá, quer dizer, não dá pra imaginar que num lugar com tanta gente trabalhando possa ser aberto ao público. A antiga R. S. J - sigla para Rail Santos - Jundiaí, primeira ferrovia paulista já desativada há décadas. Na estação hoje funciona a central de abastecimento de horti-fruti  e frutos do nordeste de altíssima qualidade. A estação poderia estar melhor conservada mas como São Paulo é uma aventura, chega de reclamar e aproveite!






Foto: Gabi Butcher

Pra encerrar, algumas dicas e um muito obrigada a Letícia, Gaby e a Betty. Adorei e espero a próxima : P



Dicas de compras, por onde passei:

Camanducaia

Itens de mercearia em geral, para feijoada, queijos, manteiga por kilo. Reduto dos pizzaiolos e quituteiras da cidade. Aquelas que sempre puxam conversa na fila já que lá tem fila pra tudo. Fila pra pegar o queijo, fila pra pagar, fila até pra andar. Cada corredor forma sua fila mas o preço compensa.

Rua Santa Rosa, 183, São Paulo, tel.: (11) 3312-7555 - veja no site os estacionamentos com convênio. >> www.laticinioscamanducaia.com.br/

Casa Flora

Trufas, caviar e foie gras. Chique sim. Essa é a Casa Flora. Itens finos de doer. O preço, mais em conta que nos empórios gourmet mas nada baratinho.

Rua Santa Rosa, 207, São Paulo, tel.: (11) 2842 5199 >> www.casaflora.com.br/

Agro Paulinho

Distribuidora de grãos. Antes era só atacado, abriu há poucos meses para o varejo. Preço excelente. Só pra se ter uma ideia, a semente de chia, que no Mundo Verde encontramos pacotes de 250gr por R$28,00, lá, o kilo sai por R$6,00. Impressionate não é?

Rua Benjamim de oliveira, 88, São paulo, tel: (11)2306-7770 >> www.agropaulinho.com.br
















26 de jan. de 2013

Pastel de Angú. Ame ou ame.


A primeira vez que comi, foi amor a primeira mordida. Foi num boteco lá em Brasília com minha amiga Patrícia. O lugar não podia ser mais simples mas o Pastel de Angú foi inesquecível. 

Nem me lembro quantos pastéis comemos esse dia mas fiquei com essa memória por anos, até chegar na aula de comida brasileira e aprender a fazer. Olha só minha cara emocionada. Eu e o pastel, o pastel e eu. 

Já falei aqui o quanto o módulo de comida brasileira na WK foi especial. A Chef Mara Salles é tão querida que quando ela começa a contar as histórias de cada prato dá vontade abraçar e levar ela pra casa. Ou de parar tudo que se está fazendo, sentar e ouvir.

Nesse dia, ela estava pulando de alegria pois na noite anterior tinha recebido o Prêmio Jabuti na categoria gastronomia com o seu livro "Ambiências". Aliás o livro é assim que nem ela, uma coletânea de histórias deliciosas.




Pastel de Angú
500gr de farinha de milho flocada
250gr de farinha de milho pré-cozida (é Milharina mesmo)
70gr de polvilho (doce ou azedo)
01 colher (sopa) de manteiga
Aproximadamente 01 litro de caldo de galinha 
Óleo para fritar.

Preparo:
Em uma tigela,  misture os ingredientes secos e adicione o caldo de galinha bem quente, aos poucos. Vá mexendo um garfo e adicionando o liquido até obter uma massa homogênea. 

Tire a massa da tigela e sove bastante ficar bem lisa. Aqui o importante é sovar a massa ainda quente. Não se desespere nem queime as mãos. Se tiver impossivel de trabalhar a massa, aguarde uns minutinhos para sovar. 

Modele os pastéis com as mãos como se fossem risoles. Se você não tiver muita habilidade, pode abrir a massa entre 2 plásticos, colocar um colher de recheio, fechar tirando o ar e cortar com um aro ou uma xícara. 

Frite em óleo quente e sirva com molho de pimenta da sua preferência. Esse pastel não precisa ser empanado pra ficar crocante.



Recheio de carne moída
1 kg de carne moída (músculo)
02 tomates bem maduros, sem semente e picados em cubos
01 cebola média picada
10 azeitonas verdes picadas
01 xícara (chá) de cebolinha picada 
01 colher (chá) de sal
01 pimenta dedo-de-moça batida
Pimenta do reino a gosto
02 dentes de alho amassados
01 colher (chá) vinagre
04 colheres (sopa) de óleo
01 colher (sopa) de farinha de trigo diluída em 2/3 de xícara (chá) de água

Preparo:
Em um recipiente plástico tempere a carne com o sal, pimentas, vinagre e metade do alho. Misture bem usando as mãos. Aqueça o óleo, doure o restante do alho, junte a carne e refogue. 
Não se preocupe se a carne começar a juntar água, acompanhe o cozimento dele e quando restar ainda um pouco de líquido no fundo da panela, junte o tomate e a cebola. Refogue mais uns 10 minutos e acrescente a cebolinha e a azeitona. Por fim, acrescente a farinha diluída em água, mexa e cozinhe por mais 3 minutos. Deixe esfriar.

Dicas de ouro:
Use o recheio gelado, ele fica compactado e muito mais fácil de fazer bolinhas ou pegar com a colher.
Prove a massa do pastel e o recheio, ambos devem estar ligeiramente salgados para acompanhar bem uma cervejinha.









25 de jan. de 2013

Ambrosia

Minha mãe adora ambrosia. Eu também gosto bastante. Cresci em Brasília, uma cidade com várias influências gastronômicas e sem dúvida a mineira é uma das mais fortes.

Ambrosia. Parece doce de leite mas não é, e tem uma textura deliciosa que faz a gente querer mais quando os grumos vão se dissolvendo na boca. Pra mim, parece o nome de uma moça prendada que, numa noite fresca, se debruçava na janela pra ver a gente passar na rua de pedra lá daquela cidadezinha de Minas.

As aulas de comida brasileira foram pra lá de especiais. A mestre Mara Salles nos ensinou a beleza desse doce e de como a vida passa mais devagar quando estamos em pé, de frente ao fogão.


Ambrosia


2 litros de laite tipo A
300 g de açucar
8 gemas peneiradas
4 claras em neve
suco de 1 limão
2 paus de canela
6 cravos da india
1 casquinha de laranja

Preparo: 

Leve ao fogo lento o leite, o açúcar, os cravos, a canela e a casquinha de laranja.

Para a casquinha, use uma faca, como se você fosse descarcar a laranja mas não pegue a parte branca. use o equivalente a casca de meia laranja.

Ferva essa mistura deliciosamente aromática ate reduzir 1 terço do volume e o leite começar a adquirir um tom caramelado.

Para saber se o leite já reduziu o sufieciente, observe a marca que ele deixa na borda da panela. 

Adicione o limão. A função dele é talhar o leite. Esta etapa garante que o soro se separe e forme uma calda transparente. Se quiser, esta é ahora de retirar a casca da laranja e os paus de canela.

Misture delicadamente as claras em neve com as gemas e adicione às colheradas ao leite talhado. Mexa de baixo para cima em movimentos leves até a espuma que se forma, desaparecer.

Os ovos levam aproximandamente 4 minutos para cozinhar então a partir desse tempo basta verificar a consistência e quantidade de calda que você quer pra sua Ambrosia.

Sirva fria.

Consideração sobre a receita: a receita da Mara leva 1 litro de leite para a mesma quantidade de ingredientes, porém como eu gosto de calda, fiz com 2 litros. Se você gostar de muita calda, use 3 litros.



9 de out. de 2012

Gravlax. Nome difícil, fácil de fazer.

Eu nunca tinha comido Gravlax antes da aula da Gabi Martinoli lá na WK. Fiquei apaixonada pela textura e sabor e impressionada com facilidade de fazer. É um prato mais que perfeito pra receber os amigos em casa mas precisa de preparação, mais precisamente 2 dias. 

Pra quem nunca ouviu falar, vamos por partes. Primeiro, o salmão não fica cru, ele é curado em sal e temperos por isso a textura e o sabor ficam diferentes do nosso amigo sashimi. É um prato escandinavo com paladar marcante e combina muito bem com vodka ou bebidas fortes.

Por passar pelo processo de cura, o gravlax pronto dura 7 dias na geladeira. Esta receita serve 6 pessoas se for pra uma noite de bebericos e beliscos mas se você quiser servir como entrada pode ser até pra 12 pessoas.

Gravlax




Ingredientes:
120 g de sal grosso
50 gr de açúcar
1/2 colher (sopa) de pimenta do reino branca quebrada
1 filé de salmão de aproximadamente 1kg sem pele
3 colheres (sopa) de vodka
1 maço de dill picado

Para servir: pão preto de miga ou de centeio, manteiga, cream cheese, pimenta do reino preta
Você vai precisar também de filme plástico para embalar tudo.

Modo de preparo:
Misture o sal, o açúcar e a pimenta branca e passe por toda a superfície do peixe esfregando bem. Faça uma cama com metade do dill num refratário e acomode o filé. Salpique a vodka e cubra com o restante de dill.
O refratário pode ser qualquer um de sua preferência mas assegure-se de ter uma outra vasilha que se encaixe nele para ser prensada juntamente com o filé e assim obter o resultado desejado. Explicando melhor: Dê uma volta frouxa de filme plástico no filé e coloque a vasilha para prensá-lo. Peça ajuda alguém para fazer força comprimindo o filé e dê mais duas voltas de filme plástico em sentidos cruzados. Esse peso vai garantir que a cura será por igual em toda a extensão do filé e as voltas duplas de filme plastico, que sua geladeira saia ilesa desses dias de cura.

Leve a geladeira por 36 a 48 horas. Retire o filé do recipiente e remova todo o excesso da marinada. Lave o peixe em água corrente e seque com papel toalha. 


Para servir você pode montar uma mesa bonita com potinhos de cream cheese, manteiga e dill ou fazer canapés bem delicados como na foto acima.

Para fazer fatias finas, deite uma faca bem afiada num ângulo de 35º. Parece uma bobeira mas pra mim, a parte mais difícil foi fatiar o filé de modo que as fibras ficassem macias. Quanto mais finas, mais gostoso fica e como a Gabi mesmo disse: "só a praticando que se aprende."

 PS: Esta receita pode ser encontrada no livro 400gr que contém todo o conteúdo do nosso curso.



30 de ago. de 2012

Saudades da Ana

Essa massinha eu provei no meu curso e quem ministrou a aula mágica foi a Ana Soares. Desde desse dia não parei de pensar em fazê-la pro marido. Uma combinação leve e ao mesmo tempo marcante. O amargor da rúcula com certeza agradaria ao paladar masculino lá em casa. 

Nem percebi que já se passaram 4 meses desde daquele encontro inesquecível. A Ana é uma dessas pessoas que quando a gente vê pela primeira vez quer ser amigo pra sempre. Só de olhar dá vontade de abraçar. Suas mãos são delicadas e minuciosas. Cabelo grisalho mostrando que ali tem experiência, na cozinha e na vida. Sua voz doce emana palavras que num ritmo que embalaria qualquer sonhador. Que saudades da Ana...


Spaguetini com tomates frescos e rúcula selvagem
[Serve 4 pessoas]

400 gr de macarrão, pode ser a massa de sua preferência mas quanto mais delicada melhor, eu sugiro o spaguettini nº3  
100 gr de queijo de cabra - chèvre
1/2 pacote de rúcula rasgada com as mãos
Manjericão a gosto
Sal e pimenta do reino

Faça os tomates maridos conforme a receita abaixo e reserve. Cozinhe a massa até ficar al dente. Reserve meia xícara da água do cozimento e misture todos os ingredientes. A massa, os tomates marinados, o queijo de cabra despedaçado com as mãos, a rúcula e o manjericão. Acerte o sal, regue com um pouco da água reservada e sirva.


Tomates marinados

300 gr de tomates maduros e firmes com pele sem semente cortados em cubos de 1 cm
2 dentes de alho cru e sem o embrião 
150 ml de azeite de boa qualidade
Sal
Pimenta do reino
Manjericão a gosto picado ou rasgados com as mãos

Misturar todos os ingredientes delicadamente exceto o sal e deixar marinando na geladeira por 30 min. Temperar na hora de servir.